domingo, 12 de setembro de 2010

Truth or Faith

Da primeira vez que o vi, confesso ter achado ele um pouco baixinho e estranho, mas bastou alguns segundos ao seu lado pra eu pensar que talvez um dia eu pudesse querer ter um filho meio baixinho e estranho. E juro que nunca desejei tanto ser um bilhetinho perdido na parede dizendo que eu seria seu setembro.
A verdade é que eu não sei bem o que fazer com esses pequenos acasos e coincidências, então só fiquei quieta e pedi uma cerveja.
Eu sentei na poltrona mais confortável do mundo segurando a cerveja de uma marca que eu sempre odiei, e bebia cada gole como se fosse o último de minha vida. Descia rasgando a garganta e de repente me dei conta de que aquela cerveja nem era tão ruim assim se eu tivesse alguém como ele ao meu lado. Porque o gosto da cerveja ficava tão bom misturado com a saliva dele. E um pouco de nicotina não faz mal a ninguém.
Mas foi tudo pra me lembrar que um raio cai duas vezes no mesmo lugar. E caiu.
Porque eu pensava que talvez ele pudesse ser o meu setembro. Talvez ele pudesse me fazer esquecer de agostos frustrados e invernos solitários, mas não foi bem assim.
Talvez ele pudesse atravessar a rua nesse exato momento e bater na minha porta.
Talvez ele pudesse me abraçar forte e segurar a minha mão outra vez.
Ou talvez já tenha passado da hora de eu parar de tentar acreditar em destino.

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