Eu andei pensando bastante sobre a vida.
Num âmbito geral, sabe? Pessoas, momentos, e tudo mais.
Talvez porque eu esteja passando por uma fase difícil. Talvez eu tenha tornado tudo difícil. Mas não vem ao caso.
Então eu pensei, até a cabeça doer. E funcionou. A dor de cabeça aliviou o aperto no coração.
Andei pensando na facilidade de dizer adeus às pessoas pelas quais guardei no peito por tanto tempo e por tanto tempo quis proteger muitas delas do mundo fodido lá fora. E no final, todos acabam corrompidos.
Respirei fundo e decidi resgatar minha integridade.
Ainda não caí no conformismo e sequer cheguei perto de encontrar uma explicação que me dê algum valor numa história em que o final feliz custa a minha infelicidade.
Mas pensar me fez perceber que cometi um erro. Cometi um grande erro, no duro. E perceber ter cometido um erro acaba por trazer a enorme vontade de fazer as coisas certas daqui pra frente. E é assim que vai ser.
Porque é tão claro quanto a verdade que me cega: o tempo não volta e afeto não se implora.
As vezes esperamos muito tempo para que alguém faça algo por nós, até que chega a hora de levantar e fazermos algo por nós mesmos.
O tempo não para e afeto não se questiona.
Por enquanto, voltar a ter fé no futuro e reaprender a se apaixonar pelas pequenas coisas já é um grande passo.
Eu não sei ao certo quando se tornou tão fácil dizer adeus, mas eis a minha deixa para toda tristeza, raiva, decepção, angustia e alguns outros sentimentos ruins semelhantes a estes que tomaram conta de mim nos últimos dias.
A dança continua.
Polisipo, em grego, significa “pausa na dor”...
E é assim que deve ser.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
Truth or Faith
Da primeira vez que o vi, confesso ter achado ele um pouco baixinho e estranho, mas bastou alguns segundos ao seu lado pra eu pensar que talvez um dia eu pudesse querer ter um filho meio baixinho e estranho. E juro que nunca desejei tanto ser um bilhetinho perdido na parede dizendo que eu seria seu setembro.
A verdade é que eu não sei bem o que fazer com esses pequenos acasos e coincidências, então só fiquei quieta e pedi uma cerveja.
Eu sentei na poltrona mais confortável do mundo segurando a cerveja de uma marca que eu sempre odiei, e bebia cada gole como se fosse o último de minha vida. Descia rasgando a garganta e de repente me dei conta de que aquela cerveja nem era tão ruim assim se eu tivesse alguém como ele ao meu lado. Porque o gosto da cerveja ficava tão bom misturado com a saliva dele. E um pouco de nicotina não faz mal a ninguém.
Mas foi tudo pra me lembrar que um raio cai duas vezes no mesmo lugar. E caiu.
Porque eu pensava que talvez ele pudesse ser o meu setembro. Talvez ele pudesse me fazer esquecer de agostos frustrados e invernos solitários, mas não foi bem assim.
Talvez ele pudesse atravessar a rua nesse exato momento e bater na minha porta.
Talvez ele pudesse me abraçar forte e segurar a minha mão outra vez.
Ou talvez já tenha passado da hora de eu parar de tentar acreditar em destino.
A verdade é que eu não sei bem o que fazer com esses pequenos acasos e coincidências, então só fiquei quieta e pedi uma cerveja.
Eu sentei na poltrona mais confortável do mundo segurando a cerveja de uma marca que eu sempre odiei, e bebia cada gole como se fosse o último de minha vida. Descia rasgando a garganta e de repente me dei conta de que aquela cerveja nem era tão ruim assim se eu tivesse alguém como ele ao meu lado. Porque o gosto da cerveja ficava tão bom misturado com a saliva dele. E um pouco de nicotina não faz mal a ninguém.
Mas foi tudo pra me lembrar que um raio cai duas vezes no mesmo lugar. E caiu.
Porque eu pensava que talvez ele pudesse ser o meu setembro. Talvez ele pudesse me fazer esquecer de agostos frustrados e invernos solitários, mas não foi bem assim.
Talvez ele pudesse atravessar a rua nesse exato momento e bater na minha porta.
Talvez ele pudesse me abraçar forte e segurar a minha mão outra vez.
Ou talvez já tenha passado da hora de eu parar de tentar acreditar em destino.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
A origem da distância.
A princípio todos os humanos viviam juntos uns aos outros, era tudo de fácil acesso. Não se conhecia distância, apenas proximidade.
Porém, os Deuses observaram que os humanos buscavam seu espaço tão exaustivamente que acabavam por desvalorizar a companhia das pessoas que amavam. Foi então que Deus Augustius, observando tal situação individualista, procurou os outros Deuses para confabular e buscar uma solução para aquela discórdia.
Chegaram a conclusão de que poderiam solucionar o problema castigando os humanos com a distância, e com isso criaram também um sentimento que representasse essa mudança: a saudade.
Então os humanos conheceram um novo conceito de espaço geográfico, onde amores foram separados por oceanos e condenados a angustia de não tê-los próximos, tendo de "lutar" para conseguir preencher esse vazio.
(Narrativa de Mito exigida pela disciplina de Filosofia do 2º período de Psicologia da PUC-PR, escrita pelas alunas Aline Fragoso, Mariana Cunda e Thaíse Dantas)
Porém, os Deuses observaram que os humanos buscavam seu espaço tão exaustivamente que acabavam por desvalorizar a companhia das pessoas que amavam. Foi então que Deus Augustius, observando tal situação individualista, procurou os outros Deuses para confabular e buscar uma solução para aquela discórdia.
Chegaram a conclusão de que poderiam solucionar o problema castigando os humanos com a distância, e com isso criaram também um sentimento que representasse essa mudança: a saudade.
Então os humanos conheceram um novo conceito de espaço geográfico, onde amores foram separados por oceanos e condenados a angustia de não tê-los próximos, tendo de "lutar" para conseguir preencher esse vazio.
(Narrativa de Mito exigida pela disciplina de Filosofia do 2º período de Psicologia da PUC-PR, escrita pelas alunas Aline Fragoso, Mariana Cunda e Thaíse Dantas)
I'll keep you.
É justamente quando a gente aceita a monotonia que a vida nos surpreende.
A minha fuga da rotina usa um all star preto e toca violão. Eu posso dizer com toda certeza do mundo que foi a melhor coisa que me aconteceu esse ano.
E foi quando eu deixei de criar expectativas que ele chegou como quem não quer nada e virou tudo de cabeça pra baixo. Só digo que gostei do resultado.
É indecente, mas me faz rir como ninguém e me dá a impressão de que eu posso conquistar o mundo inteiro.
E só dessa vez, deixar acontecer. Só dessa vez não transformar tudo em um jogo.
Só dessa vez não mandar a felicidade embora.
Jogar video game, pedir pizza, dividir uma garrafa de vinho, assistir os filmes mais incríveis e as vezes até abrir mão do filme pra assistir um jogo de futebol sem graça. São coisas pequenas, mas de fato fazem diferença.
Diversão a dois é dar risada das coisas mais bobas, ser transparente, não transformar tudo em obrigação, se sentir bem até mesmo quando o silêncio chega, compartilhar segredos.
Eu te transformei no meu segredo. E é só porque você tem tudo o que eu preciso que eu não sinto a necessidade de ficar falando horas sobre você com outras pessoas.
A minha única necessidade é ouvir você cantar pra mim antes de dormir no mínimo uma vez por semana. E dessa forma, cheguei ao nível de humildade máximo, onde uma pessoa assume precisar da outra para afastar a típica sensação de vazio.
Eu disse que era só diversão, mas não deixa de ser a diversão mais sincera e gostosa que alguém já viveu.
Vez ou outra a gente sente vontade de gritar pro mundo como é bom ter alguém assim... mas não precisa. Pronunciar em voz alta pode fazer tudo desaparecer. Eu sei que você sente o mesmo.
Just stay with me.
A minha fuga da rotina usa um all star preto e toca violão. Eu posso dizer com toda certeza do mundo que foi a melhor coisa que me aconteceu esse ano.
E foi quando eu deixei de criar expectativas que ele chegou como quem não quer nada e virou tudo de cabeça pra baixo. Só digo que gostei do resultado.
É indecente, mas me faz rir como ninguém e me dá a impressão de que eu posso conquistar o mundo inteiro.
E só dessa vez, deixar acontecer. Só dessa vez não transformar tudo em um jogo.
Só dessa vez não mandar a felicidade embora.
Jogar video game, pedir pizza, dividir uma garrafa de vinho, assistir os filmes mais incríveis e as vezes até abrir mão do filme pra assistir um jogo de futebol sem graça. São coisas pequenas, mas de fato fazem diferença.
Diversão a dois é dar risada das coisas mais bobas, ser transparente, não transformar tudo em obrigação, se sentir bem até mesmo quando o silêncio chega, compartilhar segredos.
Eu te transformei no meu segredo. E é só porque você tem tudo o que eu preciso que eu não sinto a necessidade de ficar falando horas sobre você com outras pessoas.
A minha única necessidade é ouvir você cantar pra mim antes de dormir no mínimo uma vez por semana. E dessa forma, cheguei ao nível de humildade máximo, onde uma pessoa assume precisar da outra para afastar a típica sensação de vazio.
Eu disse que era só diversão, mas não deixa de ser a diversão mais sincera e gostosa que alguém já viveu.
Vez ou outra a gente sente vontade de gritar pro mundo como é bom ter alguém assim... mas não precisa. Pronunciar em voz alta pode fazer tudo desaparecer. Eu sei que você sente o mesmo.
Just stay with me.
domingo, 8 de agosto de 2010
Muda.
Percebi o quanto tenho sido tola. Foi um erro tornar-me explícita demais.
Certa vez minha mãe me disse: "a beleza está nas entrelinhas". Foi há muito tempo atrás e talvez eu tenha esquecido o conselho no meio do caminho.
Mas hoje resolvi parar e observar. Virei um livro aberto, com folhas de seda. Quis merecer a piedade dos fragilizados, falhei. Não mereço nada disso pois continuo sendo dissimulada e nada do que eu diga terá valor.
Holden me viu passar correndo atrás do inexistente e não conseguiu me segurar. Acabei caindo, mas levantei. Não há tempo pra parar.
Eu exagero em tudo o tempo todo e é essa falta de limites que me trouxe até aqui.
Posso começar de novo mil vezes, mas o passado não deixa de existir e me perseguir.
Prepare-se para novas promessas que nunca serão cumpridas. Vou deixar só no papel.
Tente compreender.
Certa vez minha mãe me disse: "a beleza está nas entrelinhas". Foi há muito tempo atrás e talvez eu tenha esquecido o conselho no meio do caminho.
Mas hoje resolvi parar e observar. Virei um livro aberto, com folhas de seda. Quis merecer a piedade dos fragilizados, falhei. Não mereço nada disso pois continuo sendo dissimulada e nada do que eu diga terá valor.
Holden me viu passar correndo atrás do inexistente e não conseguiu me segurar. Acabei caindo, mas levantei. Não há tempo pra parar.
Eu exagero em tudo o tempo todo e é essa falta de limites que me trouxe até aqui.
Posso começar de novo mil vezes, mas o passado não deixa de existir e me perseguir.
Prepare-se para novas promessas que nunca serão cumpridas. Vou deixar só no papel.
Tente compreender.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Admirável Mundo Novo.
Alice sempre conversa comigo, me obriga a seguir o Coelho Branco.
"Se não sabe para onde ir, qualquer lugar serve."
Traz esperança.
Acendo um cigarro, dou um gole na bebida. Penso que isso a afasta de mim, mas no fundo sei que é mentira.
Agora mesmo me perguntou por que eu bebo, não demorei muito para encontrar a resposta: bebo para expulsar meus demônios.
Eu não estou mal, estou apenas perdida... perdida e sozinha. Holden e Alice de mãos dadas em um campo de centeio.
A diferença é que Holden some ao atravessar a rua.
A diferença é que Alice enxerga o Coelho Branco.
Mas eu imagino, e quando eu imagino, enxergo tudo na minha cabeça e assim vou adiante.
Sempre imaginei a Alice morena, até assistir o filme da Disney. Agradeço por não conhecer nenhum filme sobre o apanhador. Os livros são sempre melhores.
Isso é tudo sobre imaginação. Tudo que existe na minha imaginação traz esperança, mas a esperança também morre. O que não pode ser esquecido é que é quando tudo morre que surge a possibilidade de criar coisas novas e encontrar vida em outro lugar. Aprender outra maneira de viver. Quando a gente cai, a gente levanta. É assim que funciona. A vida se renova e é preciso aprender a lidar com isso.
Nem sempre é fácil. É normal se perder as vezes.
Quem sou eu?
Nunca saberia responder. Tudo se renova a cada segundo.
Eu sou Alice correndo na direção do Coelho Branco, tentando encontrar uma saída.
Eu sou Holden correndo sem direção.
Sou o coração partido de Jack.
Sou uma, duas, três, mil. Todos temos vários lados. Tudo tem vários lados.
Eu procuro por um recomeço e aqui estou eu.
Correndo na direção, na contramão.
Admirável mundo novo... tudo se renova.
"Se não sabe para onde ir, qualquer lugar serve."
Traz esperança.
Acendo um cigarro, dou um gole na bebida. Penso que isso a afasta de mim, mas no fundo sei que é mentira.
Agora mesmo me perguntou por que eu bebo, não demorei muito para encontrar a resposta: bebo para expulsar meus demônios.
Eu não estou mal, estou apenas perdida... perdida e sozinha. Holden e Alice de mãos dadas em um campo de centeio.
A diferença é que Holden some ao atravessar a rua.
A diferença é que Alice enxerga o Coelho Branco.
Mas eu imagino, e quando eu imagino, enxergo tudo na minha cabeça e assim vou adiante.
Sempre imaginei a Alice morena, até assistir o filme da Disney. Agradeço por não conhecer nenhum filme sobre o apanhador. Os livros são sempre melhores.
Isso é tudo sobre imaginação. Tudo que existe na minha imaginação traz esperança, mas a esperança também morre. O que não pode ser esquecido é que é quando tudo morre que surge a possibilidade de criar coisas novas e encontrar vida em outro lugar. Aprender outra maneira de viver. Quando a gente cai, a gente levanta. É assim que funciona. A vida se renova e é preciso aprender a lidar com isso.
Nem sempre é fácil. É normal se perder as vezes.
Quem sou eu?
Nunca saberia responder. Tudo se renova a cada segundo.
Eu sou Alice correndo na direção do Coelho Branco, tentando encontrar uma saída.
Eu sou Holden correndo sem direção.
Sou o coração partido de Jack.
Sou uma, duas, três, mil. Todos temos vários lados. Tudo tem vários lados.
Eu procuro por um recomeço e aqui estou eu.
Correndo na direção, na contramão.
Admirável mundo novo... tudo se renova.
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