Alice sempre conversa comigo, me obriga a seguir o Coelho Branco.
"Se não sabe para onde ir, qualquer lugar serve."
Traz esperança.
Acendo um cigarro, dou um gole na bebida. Penso que isso a afasta de mim, mas no fundo sei que é mentira.
Agora mesmo me perguntou por que eu bebo, não demorei muito para encontrar a resposta: bebo para expulsar meus demônios.
Eu não estou mal, estou apenas perdida... perdida e sozinha. Holden e Alice de mãos dadas em um campo de centeio.
A diferença é que Holden some ao atravessar a rua.
A diferença é que Alice enxerga o Coelho Branco.
Mas eu imagino, e quando eu imagino, enxergo tudo na minha cabeça e assim vou adiante.
Sempre imaginei a Alice morena, até assistir o filme da Disney. Agradeço por não conhecer nenhum filme sobre o apanhador. Os livros são sempre melhores.
Isso é tudo sobre imaginação. Tudo que existe na minha imaginação traz esperança, mas a esperança também morre. O que não pode ser esquecido é que é quando tudo morre que surge a possibilidade de criar coisas novas e encontrar vida em outro lugar. Aprender outra maneira de viver. Quando a gente cai, a gente levanta. É assim que funciona. A vida se renova e é preciso aprender a lidar com isso.
Nem sempre é fácil. É normal se perder as vezes.
Quem sou eu?
Nunca saberia responder. Tudo se renova a cada segundo.
Eu sou Alice correndo na direção do Coelho Branco, tentando encontrar uma saída.
Eu sou Holden correndo sem direção.
Sou o coração partido de Jack.
Sou uma, duas, três, mil. Todos temos vários lados. Tudo tem vários lados.
Eu procuro por um recomeço e aqui estou eu.
Correndo na direção, na contramão.
Admirável mundo novo... tudo se renova.
domingo, 31 de janeiro de 2010
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